As testemunhas chamadas ontem ao tribunal de Sintra para depor no caso do duplo homicídio em Rio de Mouro, em Janeiro, confirmaram a existência de conflitos entre grupos rivais prévios à noite dos acontecimentos.
Edgar, de 17 anos (16 na altura dos acontecimentos), residente no Cacém, é suspeito de um duplo homicídio com arma de fogo que ocorreu na noite de domingo de 27 de Janeiro, junto à estação de comboios de Rio de Mouro.
Depois de alegadamente ter baleado mortalmente o jovem Osvaldo, o suspeito terá, durante a fuga, morto acidentalmente o amigo Francisco Silva.
Na primeira sessão do julgamento do duplo homicídio de Rio de Mouro, no qual o arguido que está acusado de duplo homicídio admitiu a autoria dos disparos, as testemunhas chamadas a depor disseram que os conflitos entre grupos rivais de Rio de Mouro e Cacém começaram numa festa em Dezembro.
Muhamad Baldé, pertencente ao grupo de Rio de Mouro, disse em tribunal que os conflitos entre os grupos “começaram numa festa nas Mercês em Dezembro”.
“O grupo do Cacém bateu em mim e num amigo meu e depois deram-me uma facada no ombro”, disse o jovem, mais conhecido por Tino, admitindo que, no dia do duplo homicídio, tinha tirado um chapéu a um dos rapazes do grupo do Cacém, o que, horas mais tarde, desencadeou os incidentes.
“Tirei o chapéu ao Evandro porque ele não me quis dizer quem é que me deu a facada. Mais tarde combinámos ele ir a Rio de Mouro buscar o chapéu”, disse.
As testemunhas ouvidas ontem confirmaram o encontro por volta das 21:00 junto ao Mini-Preço de Rio de Mouro, onde estiveram presentes nove jovens do grupo local e quatro do grupo do Cacém.
“Combinámos junto ao Mini-Preço para entregar o chapéu. Quando chegámos, o Edgar [acusado de homicídio] nem nos deu tempo para falar e começou logo aos tiros”, disse o jovem Celso “Pequeno”, um dos membros do grupo de Rio de Mouro chamado a depor.
Joelson Santana, outro dos jovens de Rio de Mouro, referiu que, ao chegar ao local combinado, o arguido suspeito do duplo homicídio, disse “que se alguém se aproximasse levava um tiro”.
Um dos amigos do suspeito acusado do duplo homicidio, Adilson Mendonça, reconheceu ter sido ele o autor do esfaqueamento em Dezembro, e adiantou ter levado duas facas para o encontro entre os grupos.
“O outro grupo também tinha facas. Só tirámos a pistola quando os outros mostraram as facas, as pedras e as garrafas”, disse, garantindo que Osvaldo, de Rio de Mouro, assassinado com um tiro na cabeça, “simulou que ia tirar qualquer coisa do bolso”.
Adilson Mendonça adiantou que, depois do primeiro disparo, que matou Osvaldo, os quatro amigos fugiram em direcção à estação de comboios, e que durante a fuga, Francisco foi igualmente baleado, acabando por morrer.
No entanto, o jovem não confirmou se os disparos saíram da arma do suspeito acusado de duplo homicídio.
O pai do arguido, que se manteve sempre junto à porta da sala de audiência, disse à agência Lusa que este incidente de 27 de Janeiro arruinou a vida do jovem Edgar.
“Arruinou a minha vida e a dele. Quando ele morava comigo estava sempre na linha, mas depois do tribunal de menores me tirar a tutela foi morar com a mãe e em seis meses fez isto”, disse Adriano Dias Furtado.
O presidente do colectivo de juízes que julga este processo ordenou a emissão de um mandado de detenção já que o jovem Evandro, dono do chapéu, faltou à audiência para a qual tinha sido chamado a depor.
Na sessão de hoje ficou concluída a audição às dez testemunhas chamadas a depor, tendo ficado marcada para 21 de Outubro, às 14:00, a segunda audiência.
LUSA